Ligeiro questionamento metafísico
Renunciar a que, se acaso fui renunciado por meu desejo e intento? Circunstanciado, crucificado pelos fatos, me vejo em pagão dilema: posto que a honra da recusa me foi imposta pela falta, serei probo, santo, herói, ainda que tergiversado de convicção? Cínico também não, insciente do despropósito que não me redime nem sequer me define.
Bezerro indigo do sacrifício, sacrfício indigno aos comensais, serei eu mártir à revelia, avesso à tortura canônica, tangenciado pelos desconsolos da fome de Outrem, cuja piada transcendente digna de beato escárnio encarna-se em humano destino?
Bênção à deriva, minha inação enviesada será ungida pela revelação da dúvida que alimenta a pureza espúria do que quer que habite meu abate.
Escrito por Adrilles Jorge às 08h25
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|