Feliz
De onde vem este sopro frugal a macular minha doença? Que verso compassado é este que desalinha minha encruzilhada?
O esboço do corpo inviável desaba ao toque estéril da alegria primeira
Ora virulento, o afago da felicidade não mais se coaduna ao sentido torpe de desvio batizado por meu tempo
Protesto contra toda beleza que, injusta, corrói o bem comum, esquartejado pelo desejo
Protesto contra o ego, este que agora me encima e me embrulha oferecendo-me à doçura nefasta de minha complacência
Protesto contra o êxtase, que estupra meu sono
Protesto contra a plenitude, que me arranca de meu beco
Mas meu berro não reverbera aos meus ouvidos que só ouvem o surdo som de meu sorriso.
Escrito por Adrilles Jorge às 10h32
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