Cantiga de acordar n 2
Livrai-me do nada, eu pedia E o nada persistia Bravio, indômito, a vencer o meu dia Como, de resto, nada mais podia contra o nada, me rendi,furibundo com nada mais a colher do mundo
Mas eis que um certo velho dia do nada, plantei a epifania: do nada, criei seu avesso refletido na carnadura do começo de um ato trespassado por seu fim: liberto de nada, enfim...
Bastou um aceno ao vento e este, em prestimoso lamento me soprou, em tediosa harmonia que o nada nada mais podia contra a brutal indiferença do nascer de um novo dia
Livrai-me do nada, eu pedia e em alegre desespero, percebia que de seu provisório desterro o nada agora me sorria.
Escrito por Adrilles Jorge às 04h20
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