Adrilles Jorge


Um cão, apenas.

Um cão me olha
em bruta súplica de afeto
sem ambigüidade latente:
plácido translúcido mendicante
 
Atendo ao apelo do cão
entre constrangido e complacente
ao humano reflexo canino
do meu ganido silencioso:
enviesado turvo mendicante
 
O cão festeja  meu toque
sem pejos ou escrúpulos de vergonha
insciente da minha pretensa indiferença calculada.


Escrito por Adrilles Jorge às 19h37
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