Adrilles Jorge


Contradições coerentes e inconclusivas

Nada sobrevive ao tempo
senão o íntimo desejo
da permanência do afeto
 
Nada sobrevive ao tempo
senão a irrealidade corpórea
do desejo de um fim
 
Sobreviverá o tempo, indiferente ao desejo,
qual invenção humana
na contagem dos despojos
da perda do eterno
inaugurada pela consciência
 
Morrerá o tempo, complacente ao desejo,
qual invenção humana
na contagem dos ganhos
da criação da consciência
 
Reviverá o afeto,
qual realidade humana
reinaugurando o desejo
da restauração do tempo
 
Tudo sobreviverá ao humano
que subsiste à sua perene sobrevivência reinventada.


Escrito por Adrilles Jorge às 10h00
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