Adrilles Jorge


Algo


Há algo por dentro que não se toca
que não se enxerga
e finge que não se sente
algo guardado para algo mais
que a superfície que engole
mãos e olhos que tateiam
o esquecimento
do que nunca se entendeu
do que se esforça
em não se entender
Há algo por fora
que se lembra do que mãos e olhos
já não conseguem tocar e ver
mas é algo tão furtivo
que se furta
o prazer mesmo de esquecer
o que nunca deveria
não ter acontecido
e esta lembrança passeia
em cada gesto
em que se desenha e ampara
no ar
uma perda que aparentemente
não se sabe ter .



Escrito por Adrilles Jorge às 03h06
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Algo


Há algo por dentro que não se toca
que não se enxerga
e finge que não se sente
algo guardado para algo mais
que a superfície que engole
mãos e olhos que tateiam
o esquecimento
do que nunca se entendeu
do que se esforça
em não se entender
Há algo por fora
que se lembra do que mãos e olhos
já não conseguem tocar e ver
mas é algo tão furtivo
que se furta
o prazer mesmo de esquecer
o que nunca deveria
não ter acontecido
e esta lembrança passeia
em cada gesto
em que se desenha e ampara
no ar
uma perda que aparentemente
não se sabe ter .



Escrito por Adrilles Jorge às 03h02
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Filho

Entre nós
um cordão umbilical
se enrosca.
Frágil, dependo da tua dependência.
Caminho no desequilíbrio em cada tombo
onde nos ensinamos a caminhar.
Contigo pronuncio cada balbucio
que espreita uma palavra
que possa expressar
o íntimo afeto
o público afeto
a buscar a tradução exata
que nenhuma linguagem pode dar.
Contigo aprendo a desdizer
o que palavra desconhece
como poesia que subverte
e reinventa
a fala a língua
para reaprender contigo
meu filho
a nos amar.



Escrito por Adrilles Jorge às 11h21
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Filho

 

Entre nós
um cordão umbilical
se enrosca.
Frágil, dependo da tua dependência.
Caminho no desequilíbrio em cada tombo
onde nos ensinamos a caminhar.
Contigo pronuncio cada balbucio
que espreita uma palavra
que possa expressar
o íntimo afeto
o público afeto
a buscar a tradução exata
que nenhuma linguagem pode dar.
Contigo aprendo a desdizer
e reinventar
o que palavra desconhece
como poesia que subverte
a fala a língua
para reaprender contigo
meu filho
a nos amar.


Escrito por Adrilles Jorge às 11h18
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Filhpo

 

Entre nós
um cordão umbilical
se enrosca.
Frágil, dependo da tua dependência.
Caminho no desequilíbrio em cada tombo
onde nos ensinamos a caminhar.
Contigo pronuncio cada balbucio
que espreita uma palavra
que possa expressar
o íntimo afeto
o público afeto
a buscar a tradução exata
que nenhuma linguagem pode dar.
Contigo aprendo a desdizer
o que palavra desconhece
como poesia que subverte
a fala a língua
para reaprender contigo
meu filho
a nos amar.


Escrito por Adrilles Jorge às 11h16
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O eterno abraço

 

O eterno abraço
jamais consumado do Cristo na cruz
jamais interrompe seu movimento
em que libera a graça inesgotável
de sua doação
aos que o rejeitam:
a tentativa de abraço crucificado
se consuma na intenção
que sublima e abraça 
toda tentativa de amável ação:
algum amor jamais consumado
se executará sempre
pelos que o rejeitam
na memória do amanhã
que finca a carícia
nas mãos espalmadas do carrasco:
o abraço sempre negado
do carrasco a quem se ama
será sempre pregado
pelo amor que o crucifica.


Escrito por Adrilles Jorge às 14h12
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O eterno abraço

 

O eterno abraço
jamais consumado do Cristo na cruz
jamais interrompe seu movimento
em que libera a graça inesgotável
de sua doação
aos que o rejeitam:
a tentativa de abraço crucificado
se consuma na intenção
que sublima e abraça 
toda tentativa de amável ação:
algum amor jamais consumado
se executará sempre
pelos que o rejeitam
na memória do amanhã
que finca a carícia
nas mãos espalmadas do carrasco:
o abraço sempre negado
do carrasco a quem se ama
será sempre pregado
pelo amor que o crucifica.


Escrito por Adrilles Jorge às 14h11
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Resposta inexata à tua poesia

 

Sua boca muda me ensinou
o valor da palavra que jamais expressa
sua vontade.
Sua miopia, o desvio de seu olhar
me fizeram enxergar
a distância necessária para ver
o esboço do todo que se quer
e o detalhe mínimo
no tudo que se perde
A ausência sempre imprecisa da sua perda
me acomodou à angústia
de morar na vontade sempre imprecisa
do que se ama
do que se crê amar
do que se inventa amar
a fim de solapar a criação meticulosa
do nada que nos cerca.
A presença sempre exata
da iminência da sua perda
me fez enxergar minha miopia
que calculou o esboço
do que nunca soube exatamente
sentir por você.
Assim permaneço a seu lado:
consciente de algum erro calculado de avaliação 
de tudo a seu respeito
explorando em todos os lugares
o lugar nenhum
aonde me acho em sua sombra.


Escrito por Adrilles Jorge às 21h48
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Não exatamente

Não é exatamente amor
o que une as pessoas 
pelo ódio em comum

tampouco é exatamente ódio
o que une os que adoram
se repelir, amando uma mútua repulsa
que os abraça e aninha

Não é exatamente indiferença
o cansaço dos olhos que recusam
a imagem viva da miséria à frente
que recusa a imagem viva da miséria dentro
que clareia a própria cegueira voluntária

Não é exatamente cego
aquele que enxerga
nas aparências 
o que sua nudez encobre
( nem visionário é o que 
descobre o clichê da mentira profunda
que enterra a delicadeza do óbvio)

Não é exatamente ação
- não uma boa ação
todo movimento 
que não respire ou sufoque uma teoria 
que não prenda a respiração
por uma deleitável morte provisória
Não exatamente uma boa ação
todo movimento
que não despenque 
numa tentativa de voo
rumo a um céu
que espelha um precipício

Não é exatamente pensamento
o movimento da ação
de livre pensar
que não prenda a ideia ao ideal
que não prenda o divagar ao conceito
que não submeta o conceito à poesia
que a libera

Tampouco é exatamente liberdade
meramente ser o cão dócil
fiel à vontade que nos adestra
e aprisiona em carícia

Menos exatamente é tão bom ser livre
sem as prisões móveis de nossas escolhas-
prisões que nos livram da liberdade absoluta 
que a morte nos traz

Não é exatamente justa
a medida de dar a cada um
o que lhe cabe
porque tudo cabe
a cada um que não
cabe
no conceito incabível
de justiça
não é de todo justa a justiça
menos sublime
que a justeza da misericórdia
que a humilha

Não é exatamente sonho
o pesadelo tácito
de um desejo satisfeito
pelo sono imposto
de uma realidade limitada

Não é absolutamente amor
a justa ação livre e pensada
do verbo amar
que jamais encontra sua tradução exata
na falta mesma de absoluto que define nossa busca

Inexatos, tentamos amar
na palavra desajustada
que batiza nossa intenção
No meio da palavra floresce uma rosa
matematicamente sublime
com espinhos que acariciam o sangue
que colore de vermelho
a beleza furtiva de nosso toque.




Escrito por Adrilles Jorge às 04h20
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Golpe de vista

 

Cabe uma remota invenção de mim
no seu olhar que eu amo
Cabe uma invenção de quem sou
no que você me inventa 
e do que invento do que você me sente
Cabe minha perda no modo que você me olha
onde me acho no engano 
com tão acertado erro

Cabe no desvio do olhar que você me nega
minha miopia em achar
que você me enxerga
Cabe
no modo como nos vemos
nos cegarmos
pela luz onde nos tocamos


Escrito por Adrilles Jorge às 02h12
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Luz e liberdade

 

A mosca livre circunvaga
ao sabor do encanto pela luz
da lâmpada que a matará

Um homem livre circunvaga
ao encanto do desejo
que ilumina a escuridão
de sua origem

(algumas lâmpadas acendem o escuro
de uma visão por demais clara que não enxerga 
as sombras que desenham o contorno
de uma escolha)

De nada serve a liberdade
sem a devida consciência
de seu uso
diria um observador das moscas suicidas

De tudo serve a consciência
do suicídio de ser livre
em torno de toda luz
pela qual morre um homem

Um homem livre como uma mosca
circunvaga ao sabor do encanto de toda luz
que fatalmente o matará
que fatalmente o viverá

A luz, presa à livre cegueira
da mosca e do homem que a imploram
enxerga algum fim
no propósito
que os devoram.





Escrito por Adrilles Jorge às 15h39
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Eternidade


Um momento é eterno
na medida que a memória
o reconstrói sem jamais o tocar
traindo sua morte provisória

Uma foto é eterna
na medida que a imagem paralisada
não se toca
não se deixa tocar
como momento morto
que ressuscita sempre
na eternidade fabricada
de uma ausência sempre presente;
de uma ausência contemplada
na fome eterna de uma presença
que escorre pelas mãos que tateiam
o desenho de uma falta
que se agarra aos olhos.


Escrito por Adrilles Jorge às 14h42
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Não por acaso

 

Não se bastam as coisas em serem coisas
mesmo não havendo nelas a consciência
de serem mais que coisas.
Não se basta a consciência em classificar as coisas
para aquém do além do que elas são.
Não se basta o acaso de haver vida na terra
para além das probabilidades infinitas
de não vida em bilhões de outros planetas.
Não se basta o acaso de ter visto você
e me encantado ou mesmo lhe desejado
ou mesmo não entender o fundamento 
do desejo que me é negado
mesmo que inventado.
Não se basta a invenção da vontade
sem a origem inexplicada
da construção da vontade.
Não se basta o gesto mecânico
de uma doação
sem a explicação inventada
de sua verdade.
Não se basta a verdade
sem a construção afetiva
que traduz sua vontade.
Não se basta a consciência
sem a ponte que a liga
às coisas
que jamais são apenas coisas.
Não se basta alguém em se saber
algo em meio ao acaso das coisas
que não são apenas coisas
que vivem em nós
não por acaso.


Escrito por Adrilles Jorge às 01h22
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Bala perdida

 

Mirei precisamente na ideia do ideal
Acertei furtivamente no erro da intenção
Corrompi idealmente a vontade à ação
Suicidei o acerto à ressurreição de seu mal.

A bala matou seu caminho
refez seu destino, acertando em mim
seu acaso triunfal:
acaso engatilhado
por minha mão
que batizou a ação do cadáver
da vítima que em mim jaz
em meu erro fatal.

Jaz em mim
o acaso engatilhado
em meu ideal desarmado 
em ideal intenção de ação
sempre pronto a me matar
em um outro
que jamais sobrevive
a meu erro lisonjeado.



Escrito por Adrilles Jorge às 08h57
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Nascer não acaba

 

Nascer não acaba:
o parto é permanente:
nasce novamente
a mãe no esboço do filho
e em seu desenho sempre inconcluso
que foge
à sua carícia.
Nasce um novo feto sempre incompleto
do abandono
da mãe. do abandono à mãe.
Nasce a cada abandono sucessivo
um novo parto doloroso
de permanente nascimento:
nasce no desejo a vontade
de renascer nos braços
da pessoa amada
que abraça o feto de sua intenção
como quem embala
o sono da morte
a fim de que ela não acorde.
Desperta a morte que vai parir
a ressurreição permanente
de seus filhos
no desejo rejeitado
no abandono consumado
no afeto derrotado
no ideal detroçado
que sempre renascem
embalados
pela morte ausente
que os aleita:
morre a morte
permanentemente
no olho da criança
que reconhece a mãe
que o alimenta.
Morre a morte
no abandono
que se inventa.
Nasce na memória do que não foi
a esperança que se tenta
no filho da ação incompleta
que nos alimenta.
Nascer não acaba.
A todo tempo
a morte é quem desaba.




Escrito por Adrilles Jorge às 01h17
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